quinta-feira, dezembro 28, 2006

Uma Nova América Latina Emerge (2) - As eleições na Venezuela

A expressiva vitória eleitoral de Hugo Chavéz na Venezuela é um dos pontos de afirmação duma alternativa de esquerda às políticas neoliberais, quer na América Latina, quer a nível global.
Destaco alguns elementos mais importantes que resultaram das eleições de 3 de Dezembro:
A votação de 62%, que representa cerca de dois terços dos votos expressos;
O descrédito da oposição de direita, cujo votação tem vindo a diminuir consecutivamente em cada acto eleitoral;
A alta taxa de participação do eleitorado (75%) por contraste com a abstenção que prevalecia anteriormente;
A captação por parte de Hugo Chavéz do importante voto "mainstream" dos eleitores moderados e/ou indecisos;
O acantonamento da oposição de direita a posições políticas cada vez mais radicais e isoladas das aspirações da maioria dos venezuelanos;
O aumento significativo da influência e da expressão política do Partido Comunista Venezuelano;

A expressiva vitória da plataforma revolucionária bolivariana deve-se principalmente à aprovação das políticas desenvolvidas pelo presidente Hugo Chavéz, que reuniram o consenso de uma larga base social de apoio. Por outro lado, deve-se também salientar o descrédito em que caíu a classe política e os partidos que têm liderado a oposição . A sua crescente radicalização e a opção por uma estratégia de "terra queimada", golpista e sabotadora levou ao seu total descrédito na sociedade venezuelana.

No entanto, é evidente que quanto mais isolados e agrupados em torno da oligarquia económica dominante, maior é o ódio de classe que transpiram contra as transformações progressistas e democráticas que a Venezuela está a empreender. A luta de classes está ao rubro e a classe dominante recorre a todos os meios para evitar perder os seus privilégios.

O golpe de 11 de Abril de 2002 foi uma tentativa de repetir o golpe de 11 de Setembro de 1973 no Chile, mas fracassou devido à extraordinária mobilização das massas populares em defesa do processo revolucionário e à lealdade do exército. Mas se compararmos, nos dois casos, os acontecimentos que precederam o golpe, encontramos incríveis semelhanças( "lock-out nos serviços essenciasi como transportes e energia, as manifestações das "tias" da classe média-alta a baterem em tachos vazios, etc).
O aprofundamento da revolução bolivariana tem sido a resposta ao golpismo dos sectores mais reaccionários mas a consolidação do processo democrático não teria sido possível sem a extraordinária mobilização das massas populares.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Confusão de Calendário na Mensagem de Natal do PM

O nosso PM, Engº José Sócrates, proferiu uma alocução ao país coincidente com a quadra natalícia. Entre outras "pérolas" o discurso constava de frases do género:
“Passo a passo a economia está a recuperar. Passo a passo os resultados começam a surgir”, embora se tenha esquecido que estava na mesma semana do encerrameto da Opel.
Acrescentou ainda que “Melhorou a confiança nos consumidores e nos empresários. Melhorou a economia, com previsões de crescimento acima das expectativas. Melhoraram as nossas exportações: as empresas estão a vender mais e melhor no mercado global [...] Estamos a conseguir, nós vamos conseguir.” mostrando ser um visionário que consegue ver aquilo que mais ninguém perscrutar, num mês em que a ameaça do encerramento e deslocalização paira sobre diversas empresas.
Na quadra natalícia, Sócrates voltou a dirigir-se aos mais desfavorecidos. “Quero dirigir-me em particular aos idosos com menos recursos [...] O Governo continuará a fazer tudo o que está ao seu alcance para lhes dar condições para uma vida digna livre de pobreza”, afirmou. Algo que o governo já começou a implementar com o aumento da electricidade, dos transportes, a diminuição da comparticipação de medicamentos e o encerramento das urgências e centros de saúde obrigando os idosos a gastar mais dinheiro em transportes e medicamentos.
O mais curioso é que o Engº Sócrates conseguiu dizer isto tudo sem se rir, certamente porque os assessores se enganaram no calendário. Em vez do discurso natalício, para o dia 25 de Dezembro, colocaram-lhe no bolso o discurso para ser proferido no dia 1º de Abril... o Dia das Mentiras.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Canção dedicada ao Dr. Correia de Campos, na sequência da sua campanha de propaganda, quero dizer visita natalícia aos hospitais e ao Dr. Teixeira dos Santos, elogiando a sua política de encerramento de urgências, maternidades e centros de saúde.

Feliz Natal 2006


Ícone de Theófanes de Creta - 1546 Mosteiro Stavronikita - Monte Athos - Grécia)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Uma nova América Latina emerge (1) - O fim de Pinochet

Os dois acontecimentos políticos internacionais que marcam o mês de Dezembro (a vitória de Hugo Chavéz na Venezuela e, por outro lado, a morte de Augusto Pinochet no Chile) marcam decisivamente uma nova etapa política na América Latina. A iestes factos poderiamos também acrescentar as vitórias da esquerda no Brasil, Bolívia e Equador.
Com a morte de Pinochet enterra-se o último símbolo da Política do Terror aplicada contra o movimento popular progressista e democrático que marcou quase todos os países da América Latina e que se consusbstanciou, entre outros acontecimentos, na sinistra "Operação Condor". Sabemos que quando as tácticas habituais das oligarquias dominantes (o suborno, a chantagem e a ameaça) já não conseguem conter a luta de classes e a classe dominante se encontra em perigo de perder os seus privilégios, esta não hesita em deitar mão de todos os métodos, mesmo os mais violentos, nomeadamente das ditaduras militares ou de tipo fascizante.
Foi exactamente o que aconteceu em 1973 no Chile onde, após o golpe, o exército procedeu à execução sumária e sistemática de todos os dirigentes e activistas dos movimentos políticos de esquerda e sindicais. Esta acção rápida e sistemática é também a prova que o golpe tinha sido preparado com antecedência e minuciosamente, com um extenso trabalho de informações sobre os elementos "subversivos" a abater e que não terá sido realizado só pelos militares. Pinochet aplicou no Chile o mesmo procedimento que o fascismo tinha aplicado em Espanha durante e após a Guerra Civil.
Pinochet não foi mais do que o zeloso executante do "trabalho sujo" que lhe foi confiado pela oligarquia dominante do Chile, contando ainda com a colaboração técnica e política do imperialismo norte-americano. Por isso essa mesma oligarquia está-lhe eternamente grata, como se pode constatar durante o respectivo funeral.
A ambiguidade que nos últimos anos o governo chileno relativamente ao julgamento dos crimes de Pinochet e dos seus cúmplices, radca ainda no medo que as memórias de 1973 ainda inspiram em muitos chilenos. As Forças Armadas ainda continuam a ser um "Estado dentro do Estado", impedindo que o Chile exerça livremente as suas opções democráticas e mantendo uma chantagem permanente ao Estado, numa sociedade ainda traumatizada com a "Política de Terror" de Pinochet.
Mas os ventos de mudança já começaram a soprar, numa América Latina que já não quer suportar mais o domínio das oligarquias e do imperialismo.

As mãos sujas de sangue de Augusto Pinochet Ugarte

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Yo pisaré las calles de Santiago novamente

Yo pisaré las calles nuevamentede lo que fue Santiago ensangrentada,y en una hermosa plaza liberadame detendré a llorar por los ausentes.Yo vendré del desierto calcinantey saldré de los bosques y los lagos,y evocaré en un cerro de Santiagoa mis hermanos que murieron antes.Yo unido al que hizo mucho y pocoal que quiere la patria liberadadispararé las primeras balasmás temprano que tarde, sin reposo.Retornarán los libros, las cancionesque quemaron las manos asesinas.Renacerá mi pueblo de su ruinay pagarán su culpa los traidores.Un niño jugará en una alameday cantará con sus amigos nuevos,y ese canto será el canto del sueloa una vida segada en La Moneda.Yo pisaré las calles nuevamentede lo que fue Santiago ensangrentada,y en una hermosa plaza liberadame detendré a llorar por los ausentes.
(Pablo Milanés, 1974)

Já não chove em Santiago

A morte de Pinochet veio finalmente encerrar um capítulo trágico na história do Chile e da América Latina. Esta canção (El pueblo unido jamas sera vencido) foi escrita em Junho de 1973, poucos meses antes do golpe militar de 11 de Setembro, por Sérgio Ortega e gravada pelo grupo chileno Quilapayún. Rzewski compôs 36 variações para piano sobre este tema em setembro e Outubro de 1975 como homenagem à luta do povo chileno.

domingo, dezembro 03, 2006

Taxa Municipal de Direitos de Passagem

Como se sabe as infraestruturas das empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, electricidade, gás e outras, estão sujeitas ao pagamento duma taxa a favor do município devido à ocupação dum bem do domínio público, que neste caso é o sub-solo. Quando esta taxa foi criada por uma Lei da República as empresas optaram por repercutir esta taxa no valor da factura cobrado aos consumidores, pelo que efectivamente quem paga esta taxa aos municípios são os clientes (de certa forma é um regime semelhante ao IVA). Esta taxa aparece assim discriminada nas facturas que os consumidores recebem regularmente, comprovando assim a sua cobrança por estas empresas.

Apesar do crescimento do número destas infra-estruturas espalhadas pela cidade, o orçamento da Câmara Municipal do Porto para 2007 prevê uma efectiva diminuição nas verbas cobradas pelos referidos direitos de passagem. A explicação dada pelo presidente da Câmara Municipal do Porto é a de que as referidas empresas não estão a entregar ao município as taxas que anteriormente já tinham cobrado aos consumidores. Na realidade estas empresas estão a usurpar uma verba que não lhes pertence o que configura um enriquecimento ilícito por parte de quem abusivamente retem este dinheiro.

Trata-se duma situação verdadeiramente escandalosa e que exige um procedimento firme contra este tipo de comportamento abusivo. É urgente fazer também uma investigação para averiguar se isto acontece apenas no Porto ou, pelo contrário, é uma prática generalizada a todo o país.

sábado, dezembro 02, 2006

Porto, 25 de Novembro de 2006





Porto, 25 de Novembro de 2006: Manifestação (em simultaneo com diversas outras cidades de Portugal) contra a política anti-social da comissão liquidatária presidida por José Sócrates:

A arte de mentir (2)

Teixeira dos Santos surpreendeu muita gente, há algumas semanas atrás, com um discurso em que se exigia à banca uma maior participação nos sacríficios impostos aos portugueses por este governo e que estava a estudar a forma de moralizar a tributação fiscal da banca. Muitos aplaudiram o discurso e assim José Sócrates lá conseguiu ir dizer ao congresso do seu partido que afinal o seu governo até tinha um discurso "à esquerda".
Mostrando-se muito agastado com este discurso, João Salgueiro, que representa a Associação Portuguesa de Bancos veio dizer que se tratava duma deriva populista de tipo "peronista".
Com este discurso o ministro das finanças garantiu, durante uns dias, o protagonismo mediático.
Passado o congresso do PS chegamos ao momento d verdade que é a aprovação do Orçamento de Estado para 2007. Aí Teixeira dos Santos dá uma volta de 180º ao seu discurso anterior e vem dizer que afinal não existe mal nenhum em que o sector bancário e financeiro tenha um tratamento fiscal de favor, em sede de IRC, relativamente à generalidade das empresas portuguesas. Este tratamento privilegiado significa que a banca paga menos de metade da taxa efectiva de IRC que as pequenas e médias empresas são obrigadas a pagar (11% contra 25%). O sector bancário e financeiro tem ainda diversas possibilidades de "planeamento fiscal" que não são permitidas às restantes empresas.

Afinal tudo não passou duma comédia de enganos, no mais genuíno estilo de Gil Vicente. Teixeira dos Santos faz um discurso para iludir os portugueses, enquanto avança com medidas legislativas que visam o um objectivo contrário ao discurso público.

Não deixa também de ser curioso que directores de jornais, comentadores e bloguers, que todos os dias desancam nos supostos "privilégios" da classe média baixa e dos "funcionários públicos", se tenham mostrado tão preocupados com este discurso do ministro das finanças. Podem ficar descansados que afinal o Espírito Santo não dorme (para quem tem pais ricos evidentemente)

sábado, novembro 25, 2006

A Arte de Mentir

Recentemente, a propósito da "necessidade" de um aumento de 3% nas portagens, o nosso José Sócrates saiu-s e com esta "pérola"
"Espero que os portugueses compreendam que quando há uma evolução dos preços, quando muda o ano, há sempre aumentos e esses aumentos têm a ver com a inflação".

Curiosamente para este governo há sempre necessidade de aumentos nas taxas, nos impostos e nos preços dos bens e serviços, justficando-os com "a inflação". No entanto para os salários a coisa já é diferente, porque nunca há inflação (ou se há é tão pequena que ninguém repara. E por isso o governo impõe o congelamento salarial ou actualizações ridículas (1%) abaixo da taxa da inflação.

Este governo está assim a pôr em prática uma política dualista. Redução real dos salários dos trabalhadores e, paralelamente, aumento dos proveitos dos grandes grupos económicos que se apoderaram das empresas de prestação de serviços públicos essenciais (Água, Luz, Gás, Telecomunicações, Recolha de Resíduos,...) e que operam em sistema de monopólio ou de posição dominante.

A postura deste governo tem sido assim de ser forte com os fracos e fraco com os fortes.

domingo, novembro 12, 2006

O Ministério da Mistificação

O Ministro Pedro da Silva Pereira tem vindo a mostrar um excelente trabalho no seu ministério. O nome é que foi mal escolhido, uma vez que deveria chamar-se "Ministério da Mistificação". Articulando um discurso formalmente bem costruído, mas completamente oco e vazio de conteúdo, é capaz de falar durante uma hora seguida sem dizer nada de substancial e, ao mesmo tempo, evitar todas as questões incómodas. É interessante mas são demasiadas frases feitas e chavões.
Na "entrevista" concedida a Maria João Avillez disse que "os portugueses votaram maioritariamente neste programa de refomas". Nada mais falso. Os portugueses votaram no PS, mas na altura Sócrates nunca disse aos portugueses, no concreto, quais as reformas que pretendia fazer. E quando falou o que disse era exactamente o contrário do que depois fez no Governo. O ministro Silva Pereira foi fazer mais uma mistificação propagandística para encobrir o facto de que cada vez mais portugueses (incluindo muitos dos que votaram no PS) estão contra a política anti-social deste governo.

domingo, novembro 05, 2006

O Regresso de António Ferro

No Público de hoje (5 de Novembro) publica-se um artigo, assinado por Ricardo Dias Félner, intitulado “A viagem mais louca de Sócrates” que pelo seu anacronismo chega a ser hilariante. Trata-se de um longo texto escrito no mais puro estilo do jornalismo agradecido, reverente e subserviente do poder.
O seu carácter anacrónico está na incrível semelhança (quase se poderia dizer “plágio”)das longas entrevistas que, nas longínquas décadas de 30 e 40, António Ferro publicava do género “Um dia com o Presidente do Conselho nos jardins de S. Bento”. Neste caso foi um dia com o primeiro-ministro a bordo dum avião.
Tudo o resto é uma mistura de propaganda política e pessoal do PM, jornalismo de tipo “cor-de-ros” e alguma publicidade à empresa proprietária do aparelho. Ao longo do artigo vão-se sucedendo as mensagens de pura propaganda pessoal do PM: “A presença do PM colocou alguma ordem na turba”, “o tema da conversa cinge-se quase sempre à governação”, “responde a tudo procurando esclarecer algns mal-entendidos recentes” (ou seja as medidas anti-sociais deste governo não existem, são apenas mal-entendidos), “absolutamente empenhado em explicar às pessoas que estes tempos difíceis são para bem do país” (embora os tempos não sejam difíceis para todos mas apenas para os mais pobres e mais fracos e para os que vivem apenas do seu salário), e muitos outros exemplos que tornam a sua leitura um exercício hilariante. Pelo meio ainda há tempo para uma inserção de publicidade aos serviços da companhia proprietária do avião.

Curiosamente (ou talvez não) ao longo deste artigo é utilizada várias vezes a palavra “Rumo”, o que vem de encontro às observações que o Bloguítica (link) já tinha feito sobre a possibilidade de uma crescente utilização deste termo futuramente em artigos noticiosos e de opinião.

Não podemos, após a leitura deste artigo pseudo-jornalístico, deixar de recordar e aplaudir o que ainda há pouco escreveu Batista Bastos no Jornal de Negócios (link).

sexta-feira, novembro 03, 2006

As "SCUTS" na Área Metropolitana do Porto

Alguém deve explicar ao sr. ministro Mário Lino que um dos sublanços da actual A28 que se pretende portajar (da Senhora da Hora a Leça da Palmeira já existe há 40 anos.
Que na mesma A28, entre o Porto e Perafita, não foi construída nenhuma nova SCUT, mas fez-se apenas o alargamento da antiga EN107 devido ao excessivo volume do trânsto. O mesmo aconteceu na actual A29, que não foi construída de raíz, mas sim sobre o alargamento da antiga EN109 devido aos permanentes engarrafamentos.
Que dizer que existem "vias alternativas" é uma grande mentira. A única alternativa são arruamentos de perfil urbano construídos no final do século XIX.
Que com esta proposta o único acesso ao aeroporto do Porto seria também portajado.
Já percebemos que o ministro Mário Lino tem uma má-vontade contra o Porto, conforme demonstra a sua actuação relativamente ao Metro do Porto. Estes lanços que se pretendem portajar foram construídos muito antes das SCUTS e já foram pagos.
Tudo o mais é atirar areia para os olhos.

quinta-feira, novembro 02, 2006

O Caso Omri Evron

"Nego-me a servir no exército pois desta maneira protesto contra a prolongada ocupação militar do povo palestino. Esta desumana ocupação persiste, semeando o ódio e o terror entre os dois povos.
Nego-me a servir uma ideologia que não reconhece o direito dos povos à auto-determinação e à coexistência pacífica. Não estou disposto a contribuir para a opressão sistemática da população civil, para a implantação de um regime de apartheid nos territórios palestinos. Sinto profunda vergonha pela acção militar israelense nesses territórios e repugna-me a fome que se faz passar a muitos e as humilhações nos postos de controle.
Nego-me a servir de cobaia das indústrias do armamento, das grandes corporações, dos empreiteiros exploradores de todo tipo, que semeiam o racismo e que se servem de líderes cínicos para aumentar seus lucros à custa do sofrimento dos povos e da negacção dos direitos humanos mais básicos.
Nego-me a matar! Nego-me a ocupar!"

A carta é de Omri Evron, de Tel Aviv, que está sob prisão preventiva numa base militar. Evron, militante da Juventude Comunista, está sujeito a uma longa sentença. Decorrem manifestações de solidariedade para com o jovem em frente ao quartel onde está detido.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Portugal manifesta-se contra as políticas de José Sócrates



Entre 80.000 e 100.000 portugueses manifestaram-se contra a política anti-social do Governo de José Sócrates, mas que na prática funciona como uma espécie de Comissão Liquidatária da República Portuguesa. Foram muitos mas por cada um que desfilou em Lisboa muitos outros, que por diversos motivos não puderam deslocar-se a Lisboa, estavam solidários com a expressão de repúdio contra as medidas que o Governo tem lançado contra quem trabalha e vive apenas do seu modesto salário.

É no entanto sintomático que, apesar da grandeza desta acção, que não foi possível silenciar, as televisões e jornais (especialmente o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias) se tenham esforçado ao máximo, com editoriais e comentários, em desvalorizar a importância e amplitude da manifestação e em repetir reiteradamente todo o argumentário oficiosos que o Governo, através dos seus assessores de imprensa (pagos a peso de ouro) distribui pelas redacções. A tática é simples: quando o Governo diz "mata", os editorialistas dizem "esfola".
Como diz o adágio "o pior cego é aquele que não quer ver..."

Um verdadeiro "vómito" foi contudo a montagem feita pela RTP na abertura do Telejoral com um Sócrates a passar um raspenete aos portugueses que tiveram a ousadia de se manifestar e denunciar a sua política anti-social e anti-popular.

domingo, outubro 08, 2006

Frases que revelam o carácter de quem as profere (ou a sua falta)

O Jornal de Notícias conta, na sua edição de 5 de Outubro, o drama humano de Maria Eugénia que se viu forçada, devido à falta de recursos para assegurar uma habitação decente, a procurar abrigo numa capela abandonada. Talvez fosse apenas mais um dos dramas individuais que atingem milhares de portuenses que sobrevivem em habitações insalubres e em ruína.

Compreende-se que seja dificil para a Câmara Municipal do Porto resolver todos estes problemas. Exige-se no entanto que estes casos sejam tratados com humanidade e com respeito pelas pessoas que um dia tiveram um infortunio e procuram alguma ajuda.

Conta o JN que Maria Eugénia "detanta insistência, já é conhecida na Empresa Municipal de Habitação como "a senhora da capelinha". Na passada segunda-feira, foi à Assembleia Municipal "pedir ajuda". Da boca da vereadora com o pelouro ouviu o que não queria. "Não lhe posso resolver já o problema. Mas aproveite que vive numa capela e continue a rezar...", respondeu-lhe Matilde Alves."

Este pequeno comentário da Vereadora da Habitação Matilde Alves é reveladora dum profundo cinismo hipócrita e que só deixa mal quem proferiu esta frase. A atitude de prepotência de quem detém o poder e o utiliza para humilhar os mais pobres e mais fracos demonstra a sua falta de carácter.

Matilde Alves tornou-se assim uma verdadeira continuadora da tristemente célebre Maria Antonieta que perante os protestos do povo de Paris pela falta de pão terá dito "Se não têm pão que comam brioches".

quinta-feira, outubro 05, 2006

O que esconde Luís Amado?

Tem sido notório que o inquérito desencadeado pelo Parlamento Europeu sobre os vooos secretos e outras operações "encobertas", nomeadamente raptos e sequestros realizados pela CIA tem causado uma grande incomodidade junto do governo português.
Sempre que se fala neste assunto o ministro Luís Amado opta pelo silêncio ou por uma qualquer manobra escapatória que lhe permita fugir à questão. Normalmente estas reacções são indicadores de que qualquer coisa se esconde.
É caso para perguntar, o que é que escondem o governo português e o ministro Luís Amado?

segunda-feira, outubro 02, 2006

As mentiras de Teixeira dos Santos

O ministro Teixeira dos Santos veio anunciar recentemente a subida dos descontos da ADSE dos actuais 1% para 1,5%, justificando esta alteração como "uma medida da mais elementar justiça social" (sic).
Mas o que Teixeira dos Santos não diz é que os funcionários da administração pública já descontam, para além dos referidos 1%, mais 10% para a Caixa Geral de Aposentações, perfazendo assim um total de 11%. Ou seja, a mesma percentagem que os restantes trabalhadores por conta de outrém.
Outro facto que Teixeira dos Santos omite é que existe a obrigação da respectiva entidade patronal descontar também uma determinada percentagem por cada trabalhador ao seu serviço. Ou seja as contribuições que constituem as receitas que dão acesso a determinadas prestações sociais (Saúde, Desemprego e Pensões)nsão constituídas por contribuições pagas pelo trabalhador e pela respectiva entidade patronal.
O que significa que com este princípio de igualdade entre o público e o privado, de que o governo tanto fala, o Estado ficaria também obrigado à transferência anual de uma verba para a ADSE, como entidade patronal sobre cada trabalhador ao seu serviço. E é isto que não tem acontecido.
Portanto a argumentação de Teixeira dos Santos é falaciosa e de facto o que se pretende é transferir os encargos que deveriam ser suportados pela respectiva entidade patronal para os próprios trabalhadores.
A "preocupação" manifestada por Teixeira dos Santos é também uma declaração da mais refinada hipocrisia política. Com efeito, onde existe realmente uma profunda injustiça social neste assunto é nos montantes a que são obrigados os trabalhadores por conta de outrém mas que têm falsos contratos de "recibos verdes", que suportam além do desconto que lhes cabe também os descontos que caberiam à sua entidade patronal.
Na realidade isto é apenas mais um estratagema que o governo utiliza para a redução dos salários reais da Administração Pública, mas sem ter a coragem política de o assumir frontalmente.
Aliás se Teixeira dos Santos fosse coerente prescindiria do Subsídio de Habitação que cobra ao Estado, uma vez que a generalidade dos funcionários deslocados do seu local de residência (Professores, Polícias, etc) não tem direito a ele.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Compromisso Portugal

Quando vejo os senhores do "Compromisso Portugal" na nossa televisão a receitarem os remédios salvadores, como uma espécie de "Banha-da-Cobra" para salvar o País, vem-me sempre à lembrança aquela canção do Zeca Afonso cuja letra é assim:

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos

Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada

A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas

São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei

No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada

Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo

Aliás os seus remédios são simples mas já são velhos conhecidos. Consistem em despedir 200 000 trabalhadores da Administração Pública, sub-contratar estes serviços às suas empresas mas de maneira mais cara, redução dos salários dos trabalhadores em geral que passariam a ser vistos apenas como mão-de-obra descartável, redução ou extnção dos sistemas de segurança social (mais uma das formas de obrigar os trabalhadores a aceitar a redução dos salários), e muitas outras. No fundo o factor Capital reclama uma fatia cada vez maior da riqueza produzida pelo factor Trabalho e isso só poderá ser conseguido através da imposição da redução real dos salários. As propostas do "Compromisso Portugal" pretendem assim criar um ambiente político favorável a pôr em prática este gigantesco programa de retrocesso social. Há aqui todo um programa ideológico que pretende remeter-nos para regressar a sistemas de organização social e económica que há mais de 100 anos foram relegados para o caixote do lixo da história.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Volver - O regresso de Pedro Almodovar




Pedro Almodovar afirma-se cada vez mais como um dos maiores cineastas actualidade, a par de nomes como Spike Lee ou Nanni Moretti. Depois de "La Mala Educación" com "Volver" volta a mergulhar nas memórias da infância e na Espanha profunda que persiste, mesmo em Madrid, debaixo da aparência de cosmopolitsmo da grande capital. Com interpretações fabulosas de Penelope Cruz e Carmem Maura, uma canção lindissima interpretada por Estrlla Morente, é sem dúvida um dos melhores filmes deste ano.

Blogues contra a hipocrisia

O General Zé esta a realizar uma listagem dos blogues que se pronunciaram contra a a campanha anti-PCP feita a pretexto da presença do Partido Comunista Colombiano e da Revista Resistência na "Festa do Avante".

sexta-feira, setembro 15, 2006

O documentário "Loose Changes"



Acabei de assistir ao documentário "Loose Changes" que pasou hoje na RTP. Confesso que sempre fui muito céptico em relação à generalidade das "teorias da conspiração" que circulam por muitos sítios. Mas que muitas existem também é verdade.
As questões que levanta o filme são sem dúvida inquietantes e motivo de reflexão. É óbvio que não dispomos da informação suficiente para confirmar ou infirmar as hipóteses levantadas, mas também existem muitos aspectos que nunca foram devidamente esclarecidos. Apenas podemos avaliar a plausibilidade das hipóteses. Destaco duas questões que me intrigaram particularmente:
1. o súbio "desaparecimento" dos vestígios do alegado avião que embateu contra o Pentágono;
2. a rapidez e a forma como "implodiram" as torres.

Talvez daqui a muitos anos, quando for possível o acesso a documentos que se encontram classificados, seja possível esclarecer melhor este acontecimento que ainda a continua a ter aspectos muito obscuros. Bastante clara é , no entanto, a forma como se tem utilizado esta tragédia para a manipulação política por parte do núcleo neo-con e do complexo militar-industrial instalado na Casa Branca.

Mas para além das especulações sobre o 11/09 logo no início do documentário é apresentado um documento fundamental (sobre cuja veracidade não restam dúvidas) apresentado na década de 60 ao Secretário de Estado Robert McNamara, para encenar atentados terroristas (ou realizá-los mesmo, usando a estrutura operacional da CIA) como forma de arranjar o pretexto para a invasão de Cuba. É uma receita antiga, que tem sido usada em várias ocasiões pelo imperialismo para poder desenvolver a sua política de guerra contra os povos. Neste, e noutros casos, é sempre importante saber a quem aproveita o terrorismo para sabermos a sua origem e objectivos.

terça-feira, setembro 12, 2006

A Revista Resistência (FARC-EP) presente em Estocolmo




Aqueles que se escandalizaram pela presença da Revista Resistência da Colômbia em Portugal, deveriam olhar mais para o Norte da Europa, seguindo o famoso "modelo nórdico". É que segundo notícias recentes as FARC estiveram no centro da capital da Suécia com uma "feira do livro" e uma exposição sobre a situação na Colômbia. Dizem que foi um sucesso. Será que depois de quase terem exigido um inquérito ao Ministério da Administração Interna vão agora também fazer um abaixo-assinado contra a Suécia? Sim porque aqui foi mesmo no centro da cidade e não num stand duma Festa.

Las Farc en el centro de Estocolmo

Las Farc y su revista Resistencia Internacional fueron el centro de atracción. A los pueblos les tiene sin cuidado las tristemente famosas ´listas de terroristas´de los Estados Unidos y de los gobiernos de la EU. "Los verdaderos y únicos terroristas tienen sus oficinas en los centros de poder imperial como Washington, Londres y otras grandes ciudades".
[ANNCOL]

Ler aqui: http://www.anncol.org/es/site/doc.php?id=2409

A Formação das FARC-EP

O André Levy colocou um excelente texto onde se traça a história da formação e desenvolvimento das FARC-EP desde 1948 até hoje. Vale a pena ler aqui: http://jangada-de-pedra.blogspot.com/2006/09/porqu-farc.html#comments.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Frases Reveladoras

Um dos colunistas habituais do Insurgente, o Claudio Tellez colocou numa das caixas de comentários a seguinte "pérola":

Afirmas que eu comparei Pinochet a Mandela? Ora, nunca fiz isso e jamais o faria. Afinal de contas, Mandela cometeu atos de terrorismo, enquanto Pinochet combateu terroristas.Claudio Tellez Homepage 09.11.06 - 2:52 pm #

Às vezes uma pequena frase vale por mil palavras. Esta demonstra que, muitas vezes, por detrás do neoliberalismo económico se esconde o fascismo social e político. Ou de como num blogue dito "liberal" abundam os admiradores de Pinochet, da Junta Militar, da DINA e das execuções sumárias no estádio de Santiago.

11 de Setembro de 1973, Chile - Para que não se esqueça

Salvador Allende



domingo, setembro 10, 2006

Lido hoje no Público

Lido hoje (10.09.2006) no insuspeito Público (p.27, link não disponível):

Escândalo nas Forças Armadas na Colômbia

"(...) No dia 31 de Julho, a poucos dias da cerimónia de investidura do Presidente Alvaro Uribe, uma série de bombas explodiram em Bogotá matando um civil e ferindo dez soldados. As autoridades acusaram então as FARC. Mas os autores tinham sido os militares.(...)"

Ou seja o Exército organiza atentados terroristas para depois poder vir acusar as FARC. Mas sobre isto o Tugir , o Kontratempos, o Canhoto e demais insurgentes e blasfemos, nem tugem nem mugem. É a memória selectiva.

sábado, setembro 09, 2006

O que alguns não dizem

Alguns blogues como o Tugir, o Kontratempos e o Canhoto resolveram dirigir uma missiva ao embaixador da Colômbia, que é objectivamente uma carta de solidariedade com o regime de Alvaro Uribe e com os seus esquadrões da morte. Mas há na Colômbia muitas coisas que convenientemente eles continuam a calar porque não servem os seus objectivos principais: Atacar e caluniar o PCP.
Para isso têm que branquear o regime de Uribe e silenciar a realidade social e política da Colômbia onde, com a cumplicidade do Estado, actuam abertamente os "Esquadrões da Morte".
Mais um caso de que eles não falam:

Asesinan otro militante comunista

Reactivado la persecución al Partido Comunista Colombiano: El cuerpo del militante comunista Carlos Arciniegas de Puerto Wilches, Santander ha sido encontrado con señales de crueles torturas.El crimen se atribuye a los grupos paramilitares legalizados que con el aval del gobierno de Álvaro Uribe actúan abiertamente en la región.
[Athemay Sterling, DPDH] En diciembre de 2005 fue asesinado el dirigente comunista Carlos Arturo Diaz en el Tolima, en enero de 2006 se reactiva la persecución al Partido Comunista Colombiano con el asesinato de Carlos Arciniegas en Puerto Wilches Santander.


(Ler noticia integral aqui: http://www.anncol.org/es/site/doc.php?id=1720)

quarta-feira, setembro 06, 2006

A guerra esquecida da Colômbia - Mais um assassinato


6 DE SETEMBRO DE 2006 - 10h04

Líder político comunista é assassinado na Colômbia

"Edgar Emiro Fajardo Marulanda, de 48 anos, professor universitário, dirigente do Partido Comunista Colombiano e ativista do Pólo Democrático Alternativo, foi assassinado no último dia 1º de setembro, em Bogotá, em circunstâncias consideradas estranhas por seus familiares e outras lideranças partidárias.

O comunista foi alvejado por diversos tiros momentos na entrada do conjunto residencial onde vivia e veio a falecer depois de algumas horas, já no hospital. Para seus familiares, a eficiência no modo como o crime foi feito reforça as suspeitas de crime político, com a participação do Estado colombiano na ação.

Edgar era irmão de Nelson Fajardo, membro do Comitê Central do Partido Comunista Colombiano e também professor em diversas universidades do país.
Em sua página na internet, o Partido Comunista Colombiano lembra que a morte de Fajardo não é um caso isolado e conclama a população a não denunciar todo e qualquer tipo de violação de direito. Por ironia, o assassinato de Fajardo coincide com o início da ''Semana Pela Paz na Colômbia'', movimento organizado desde 1988 pela Rede de Iniciativas Cidadãs Contra a Guerra e Pela Paz.

Além da morte do líder comunista, seus assassinos acabaram vitimando também um outro jovem (morador do mesmo condomínio de Fajardo), que teria, por infortúnio, testemunhado o crime."


Fonte: http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=7176

´Não deixa de ser curioso que os mesmos que ficaram tão incomodados com a presença duma bandeira das FARC permaneçam silenciosos perante os crimes que os grupos paramilitares e as milícias privadas, ao serviço da oligarquia colombiana, com o apoio e cumplicidade do governo, perpetram diariamente contra o povo colombiano.

Existe há décadas uma situação de grande violência contra o povo promovida pelas oligarquias, apoiadas em grupos paramilitares (verdadeiros exércitos privados de tipo feudal) e que promovem a "guerra suja" com a cumplicidade do Estado e do Exército.Milhares de dirigentes políticos, sindicalistas e camponeses foram assassinados nas últimas duas décadas. Embora noutra escala, a guerra suja prossegue nos dias de hoje. Desde a subida ao poder de Uribe, em 2002, perto de 140 comunistas foram mortos. Só em 2005, 70 sindicalistas colombianos pereceram, vítimas da política de terra queimada das classes dominantes. No país que a oligarquia designa de «democracia mais antiga» do sub-continente, a situação humanitária é calamitosa. Existem mais de três milhões de deslocados, milhares de prisioneiros políticos. A tortura é uma prática comum desta «democracia» onde a esmagadora maioria dos crimes contra a humanidade e de genocídio da responsabilidade dos paramilitares e do Estado, permanecem na completa impunidade, e onde a polarização social é acentuada.

domingo, setembro 03, 2006

As contradições de Vital Moreira

Vital Moreira tem-se distinguido na lusa blogosfera pela forma entusiástica e superlativa como aderiu às políticas anti-sociais deste governo, muitas vezes até duma forma que poderiamos classificar como de "mais papistas do que o Papa".
Desta vez insurgiu-se contra uma proposta da CGTP de actualização do salário mínimo nacional dos actuais € 385,00 para cerca de € 410,00. Ou seja de mais 6%, que corresponderiam a mais € 35,00/mês. Proposta razoável e justa tendo em conta a degradação do poder de compra do SMN nos ultimos 10 anos e o agravamento do custo de vida dos bens essenciais, particularmente desde que Portugal entrou na Zona Euro. Além disso trata-se de uma actualização que, em números absolutos, é relativamente moderada, tendo em conta também os objectivos de criação do SMN que era assegurar que o salário constitui-se um rendimento suficiente para que o individuo estivesse (particularmente aqueles que desempenhassem trabalhos menos qualificados) , no mínimo, acima do limiar da pobreza. A instituição do SMN depois do 25 de Abril foi uma das principais conquistas civilazacionais do séc. XX e que agora alguns pretendem destruír.
Vital Moreira atira-se contra este proposta, duma forma que muita direita não ousaria dizer publicamente, invocando que:
a) a inflação é reduzida;
b) é melhor ter um emprego com uma remuneração miserável do que estar desempregado;
Mas será que isto faz algum sentido quando, poucos dias antes, o mesmo Vital Moreira, vinha dizer que os aumentos de mais de 1000% nas comparticipações das tabelas da ADSE eram irrisórios porque os valores absolutos eram inferiores a um Euro e o mesmo Vital Moreira vem agora criticar a proposta de mais €35,00 (sete mil escudos antigos) porque é superior aos 2,5% da irrealista previsão oficial do Dr. Constâncio? Afinal os valores servem para uns e não para outros? E as percentagens também? Ou é simplesmente uma forma de manipular os dados para justificar as políticas anti-sociais deste Governo?
Talvez fosse bom antes de falar sobre algo que manifestamente não faz a minima ideia, de que fizesse algumas contas como as familias que apenas têm o SMN repartem as suas despesas domésticas (alimentação, transportes, Habitação) e terá algumas surpresas ao ver como a variação dos preços nestes sectores foi sempre muito superior à taxa de inflação oficial. Aliás só para manuais escolares cada aluno gastará cerca de € 300,00, ou seja quase um salário minimo.
Aliás qualquer empresário gasta por dia, ao almoço, bastante mais do que os € 35,00.
Quanto ao segndo argumento é bastante semelhante ao que os antigos donos de escravos justificavam o esclavagismo, dizendo que apesar de trabalharem de graça os escravos tinham sempre assegurada uma tigela de comida, o que fazia com que a sua situação não fosse assim tão má. Mais palavras para quê?

segunda-feira, agosto 28, 2006

"Guantanamo Airlines" e o Governo Português

Em diversos locais do globo pessoas são raptadas sob o pretexto de serem "suspeitas de terrorismo", levadas em segredo para prisões secretas onde são torturadas e, são colocadas posteriormente na prisão de Guantánamo, incomunicáveis drante anos. Alguns foram posteriormente libertados, após terem sofrido todos estes tratamentos, aparentememente porque "foi engano dos serviços secretos". Foi o caso, por exemplo, do cidadão turco Murat Kurnaz (ler aqui).
Os países europeus que têm convenções contra a prática da tortura sabiam mas fecharam os olhos e, em alguns casos, até colaboraram com acções à margem da lei. O governo português plos vistos também sabia que os aeroportos nacionais estavam a ser utilizados para uma actividade que é interdita pela Constituição da República Portuguesa, assim como por diversas convenções internacionais que a República Portuguesa assinou e faz de conta que nada aconteceu.
Sócrates recusa-se a dar explicações sobre este assunto ao alegando questões de soberania. Claro que por esta ordem de critérios Portugal não deveria sujeitar-e às directivas europeias em áreas como a agricultura, pescas, política orçamental e outras. A desculpa é no minímo incoerente. Mas mais grave é que mesmo quando questionado, há algum tempo atrás, na Assembleia da República por deputados portugueses José Sócrates continue sem esclarecer devidamente esta situação.

A Refundação da Direita

O Dr. Manuel Monteiro anda ultimamente bastante atarefado com o seu projecto de refundar a Direita. Curioso é que a sua primeira iniciativa política em tão ambicioso empreendimento tenha sido o de telefonar ao adjunto do ministro da Admnistração Interna para meter uma cunha junto do Governador Civil de Viana do Castelo para abrir uma excepção na autorização para realizar esta iniciativa uma vez que por inépcia ou incompetência não se tinha munido dos necessários documentos.

Este governo já perdeu todo o sentido da decência. Pelos vistos para o Ministério da Administração Interna há quem esteja dispensado de cumprir a lei. Veremos se no futuro outros partidos terão direito a tratamento similar.

"His Master's Voice" (2)

Hoje o Jornal de Notícias dá continuidade à sua linha editorial de porta-voz oficioso do governo. Desta vez é mais um ditirâmbico elogio, sem direito a contraditório, ao encerramento de diversas maternidades. Tudo é bonito, feliz e cor de rosa como no País das Maravilhas com títulos expressivos como "Sorrisos que calam polémicas" e frases como "Pela frente, o normal será repetir-se o cenário que o JN encontrou nas maternidades de acolhimento. Satisfação."

sexta-feira, agosto 25, 2006

"His Master's Voice"

O jornalista Paulo Ferreira, chefe de redacção do Jornal de Notícias assina hoje um editorial que é digno de emparelhar com as elegias de António Ferro ou com os editoriais situacionistas do vetusto "Diário da Manhã". É um exemplo de antologia do jornalismo reverente e obrigado sempre disposto a "engraxar" o poder instituído. Só que este é tão exagerado que até enjoa.

Depois de zurzir salomonicamente em todos os líderes e partidos da oposição, Paulo Ferreira remata com esta "pérola":
"o engenheiro José Sócrates bem pode continuar a construir a sua imagem de chefe intransigente de um Governo sem Oposição. Não há nada no horizonte que o possa atrapalhar. O povo português, que tanto aprecia a autoridade, cá estará para lhe agradecer, com votos, a condução do país. "

quarta-feira, agosto 23, 2006

Anti-semitismo ou Anti-sionismo?

Os acontecimentos decorrentes da agressão israelita ao Líbano, vieram agitar em alguns locais da blogosfera (nomeadamente aqui)a velha questão do anti-semitismo.
No fundo não há aqui nada de original. Segue uma linha decorrente do pensamento da direita americana que procura impedir a reflexão critica sobre a actual doutrina político-militar de Israel, nomeadamente em relação aos palestinianos.
A utilização do termo também não é inocente uma vez que remete para contextos históricos europeus muito especificos que identificavam políticas de discriminação e perseguição às comunidades de religião judaica por motivos religiosos ou “raciais”.
O objectivo desta amálgama de conceitos é clara: intimidar quem critica as políticas repressivas de Israel sobre a população autóctene (nomeadamente as confiscações de terras e as demolições de casas) associando-os às teses rácicas nazis. Colocam um rótulo e já não precisam de pensar mais!
O rótulo do "anti-semitismo" é assim um tigre de papel que é agitado quando não há outro argumento para defender as políticas de tipo colonialista do estado de Israel. Criticar a política de estado de Israel não tem nada a ver com anti-semitismo. É o mesmo que dizer que quem criticava a guerra colonial em Portugal era traidor à pátria ou anti-português.o termo "anti-semitismo" não faz sentido porque tanto são semitas os judeus como os árabes. Além disso, ao contrário do que muitas vezes se diz não se trata dum conflito contra o Islão uma vez que também existem comunidades cristãs árabes importantes e que são muito antigas, remontando ao sécI e II d.C. Aliás as três religiões ao longo de muitos séculos sempre conviveram na Palestina, exactamente até à época em que se procurou impôr um projecto sionista nesta região que passava pela expulsão da restante população.
A questão de fundo do conflito que ocorre na Palestina é que para haver paz é necessário haver justiça. Desde 1948 que está para se fazer a paz e a justiça, nomeadamente em relação aos palestinianos que foram expulsos das suas aldeias num verdadeiro processo de limpeza étnica. É curioso que a evocação desses factos ocorridos em 1948 (assim como as tácticas terroristas do Irgun, do Stern Gang ou do Haganah) ainda hoje cause tanto incómodo a muita gente. Os territórios ocupados, como por exemplo, Gaza são actualmente um grande campo de concentração totalmente bloqueado. A população palestiniana local é sujeita quotidianamente a todo o tipo de humilhações e isso explica em grande parte o problema do terrorismo.
A doutrina politico-militar do estado de Israel inspira-se nas teorias fascizantes e colonialistas de Zeev Jabotinsky (principal ideólogo do Likuud) que num artigo chamado "the iron wall" comparava os palestinianos aos indios e cuja "solução final" seria a sua expulsão forçada ou voluntária do "Eretz Israel". Escreve Jabotinsky que “Zionist colonization, even the most restricted, must either be terminated or carried out in defiance of the will of the native population. This colonization can, therefore, continue and develop only under the protection of a force independent of the local population – an iron wall which the native population cannot break through. This is, in toto, our policy towards the Arabs. To formulate it any other way would only be hypocrisy.(...) But the only path to such an agreement is the iron wall, that is to say the strengthening in Palestine of a government without any kind of Arab influence, that is to say one against which the Arabs will fight. In other words, for us the only path to an agreement in the future is an absolute refusal of any attempts at an agreement now.”
O unico caminho possível é o da Paz assente na Justiça e na Igualdade de todos, quer sejam judeus, muçulmanos ou cristãos.A simples manutenção do "status quo" pela violência não vai levar a nenhuma solução. Noutras paragens (como na Africa do Sul) as Comissões para a Justiça e Reconciliação deram bons resultados. Israel também precisa duma.
Afirmações do tipo "existe um anti-semitismo anti-judaico que se agudizou à esquerda desde a queda do Muro de Berlim" são puramente panfletárias. Associar a critica à poltica dum estado concreto a uma ideia de criminalização generalizada de toda uma religião, ou um povo é uma mistificação, essa sim panfletária, pretendendo subliminarmente criar um falso elo entre quem a faz os movimentos realmente anti-semitas existentes na Europa e nos EUA (tipo KKK).É óbvio que ainda existem na Europa focos residuais de anti-semitismo, como na Polónia, mas que são contra a presença de judeus na Europa e nada têm contra a política do estado de Israel, antes pelo contrário, ficariam contentes com a sua partida para Israel.A critica que faço a Israel, e que também fazem muitos israelitas (judeus e não-judeus) como o falecido Meir Vilner é basicamente um problema dos mais básicos direitos humanos e tem que ser debatido nessa base. O fundamentalismo islâmico utiliza a questão duma forma oportunista e instrumental mas a continuação desta doutrina politico-militar por parte de Israel favorecerá a prazo o seu crescimento.Não existe aqui nenhuma confusão entre a critica a uma doutrina politico-militar dum estado e uma absurda culpabilização colectiva (era o mesmo que dizer absurdamente que quem combateu o nazismo odiava os alemães e austríacos). Citando Amílcar Cabral diria que o inimigo é o sistema colonial e não o povo.

Aliás dentro do complexo mundo da filosofia e teologia judaica a questão do sionismo não é tão consensual como muitos imaginam.Pode-se ver por exemplo este site:(http://www.jewsnotzionists.org/index.htm) onde se diz “There are in fact many Jewish movements, groups and organizations whose ideology regarding Zionism and the so-called "State of Israel" is that of the unadulterated Torah position that any form of Zionism is heresy and that the existence of the so-called "State of Israel" is illegitimate.No one has had to create any antagonism between our Torah and Zionism because such antagonism exists by virtue of the essence of Judaism itself, which can never tolerate the heresy of Zionism.Zionism is wrong from the Torah viewpoint, not because many of its adherents are lax in practice or even anti-religious, but because its fundamental principle conflicts with the Torah. “

sábado, agosto 19, 2006

A crise do capitalismo global

"As carpideiras da falência do socialismo não se perguntam por suas causas nem denunciam o fracasso do capitalismo para os 2/3 da humanidade que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza. Assim, abraçam o neoliberalismo sem culpa. E o adornam com o eufemismo de "democracia", embora ele acentue a desigualdade mundial e negue valores e direitos humanos cultuando a idolatria do dinheiro e das armas."

Frei Betto (ler mais aqui: http://www.voltairenet.org/article142911.html)

sexta-feira, agosto 18, 2006

As confusões de José Manuel Fernandes

O director do Público anda um pouco confuso e com uma acentuada tendência para o disparate. Já estavamos habituados a ler os seus editoriais, normalmente repetitivos, onde invariavelmente se elogia o pensamento político neo-conservador e se faz a profissão de fé no triunfo absoluto do capitalismo sobre a esquerda e demais forças do Mal.
No editorial de hoje (18.08) do Público o disparate bate mais recordes do que Francis Obikwelu numa corrida de 100 metros. José Manuel Fernandes resolveu comparar, certamente por se tratarem de situações equivalentes, a participação de Günter Grass nas "Waffen SS" com o PREC, José Saramago e o DN.
È claro que José Manuel Fernandes não percebeu a diferença entre um instrumento de terror e repressão como foram as "Waffen SS" e um momento libertador que o povo português protagonizou e que extinguiu formas de servidão e subjugação com séculos de existência. Mas para quem viu na invasão do Iraque um novo 25 de Abril já nada surpreenda. Muito menos em quem visita um país, por acaso em guerra, com todas as despesas pagas pelo respectivo governo e depois escreve editoriais "isentos".
Mas para informação do JMF aqui vai uma pequena amostra do "curriculo" das "Waffen SS":
  • Na Campanha de 1944, a 2a Divisão Panzer SS “Das Reich” praticou uma das mais horríveis atrocidades ocorridas em solo europeu, a destruição da vila francesa de Oradour-sur-Glane, onde mais de 600 pessoas foram brutalmente assassinadas. Os homens por fuzilamento, e as mulheres e crianças, amontoadas dentro da igreja do vilarejo que foi incendiada de seguida. A 12a Divisão Panzer SS “Hitlerjugend” foi responsabilizada pela execução de 134 prisioneiros canadenses durante os conflitos na Normandia.
    Na Ofensiva das Ardenas, em dezembro, elementos do Leibstandarte SS sob o comando de Joachim Peiper, executaram mais de 90 prisioneiros de guerra americanos, em Malmedy.
    Na Frente italiana, tropas da 16a Divisão Panzergrenadier “Reichsführer-SS” operando em missão anti-guerrilha, levaram a cabo atos de selvageria ainda mais terríveis do que a destruição de Oradour. Em 12 de agosto de 1944, queimaram a vila de Sant’Anna di Stazzema, exterminando 560 pessoas. No dia 18 de outubro, aniquilaram a comuna de Marzabotto, na província de Bolonha. Ao se retirarem, as tropas das Waffen-SS deixaram para trás 1604 cadáveres de homens, mulheres e crianças. Além destes civis, 226 “partigiani” italianos foram executados. As atrocidades cometidas no Leste Europeu foram tantas que é quase impossível relatar todas, mas certamente foram piores do que as cometidas no Oeste.

Quando José Manuel Fernandes fala de "censura" eu também sempre achei estranho que o Publico não publicasse noticias desagradáveis para o Grupo SONAE. Ou se calhar talvez não seja assim tão estranho.

quinta-feira, agosto 17, 2006

Nos 50 anos da morte de Bertholdt Brecht

Passaran no dia 14 de Agosto 50 anos sobre a morte de um dos principais dramaturgos do século XX. As obras que nos legou são, vistas à luz do mundo contemporâneo saído da "Nova Ordem Capitalista" duma actualidade impressionante. Todos os seus traços estruturais, em obras como "Mãe Coragem", "Mahagony" ou "Ópera dos 3 Vinténs" estão aí presentes. E há também a música genial de Kurt Weill que acompanha a maior partes das suas peças.
Dos vários textos de Brecht (para além daquele que abre o blogue) escolhi este que me toca particlarmente:

Elogio da Dialéctica
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração; isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nòs queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nòs
De quem depende que ela acabe? Também de nòs

O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!O que sabe ao que se chegou, que há aì que o retenha?
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

quinta-feira, julho 27, 2006

Lendo Brecht

QUEM SE DEFENDE
Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legitima defesa.
Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente.
Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender

A situação no Médio Oriente vista a partir de Israel




Meir Vilner (1918-2003), um dos signatários da Declaração de Independência do Estado de Israel, liderou o Partido Comunista de Israel e foi uma das principais vozes na luta pela paz e pelos direitos humanos, tanto de judeus como de árabes. Se em Israel houvesse mais dirigentes como ele que procurassem a Paz fundada na Justiça (e não na subjugação e humilhação), como tem acontecido com o chauvinismo militarista de Netanihau, Sharon e Shimon Peretz, toda a situação no Médio-Oriente poderia ser resolvida. O único lider israelita a tentar este caminho foi Rabin, mas foi assassinado pelos apoiantes da continuação deste estado de coisas.

Alguns excertos da entrevista de Meir Vilner ao People's Weekly World:
"Perhaps you have forgotten that in that document we said we are establishing a Jewish state in accordance with the United Nations Resolution of Nov. 9, 1947. It is also written that the State of Israel will cooperate in implementing the UN Resolution of Nov. 29, 1947 which calls for the creation of an independent Arab state. So it means a Jewish state and an Arab state. That is what we signed. All parties."
"In Gaza, the conditions are terrible. The majority is unemployed. Sanitary conditions are terrible. In some places in the West Bank, they don't even have drinking water but 50 meters away the Israeli settlers have swimming pools."
Vilner said. "Wages and living conditions for working people in Israel are going down. The gap between rich and poor is widening. If we achieve peace, we can reduce the two-thirds of the budget that goes for the military, the secret police, for the settlements, for nuclear weapons. Peace would open the way for solving many other social problems.
"I have always stressed that we are defending the rights not only of the Palestinian people but also the Israeli people," he said. "The expansionist policies endanger Israel. In fighting for a just peace, we are the real patriots."

Ler texto integral aqui: http://www.pww.org/archives97/97-07-19-3.html

quarta-feira, julho 26, 2006

Geografia da guerra


(clique para ampliar)
Este mapa (retirado de http://lebanonheartblogs.blogspot.com) representa a localização dos bombardeamentos efectuados por Israel no Líbano entre 12 e 23 de Julho. É curioso observar que apesar de haver uma intensificação dos ataques no Sul, a geografia dos bombardeamentos cobre uniformemente todo o território do Líbano, incluindo as zonas cristãs do Norte, onde não há bastiões do Hezbollah. Aliás praticamente não há nenhuma povoação importante que não tenha sido bombardeada.

Isto significa que a estratégia israelita vai muito mais além do que simplesmente flagelar as posições do Hezbollah. é uma verdadeira operação de "choque e pavor" na definição que Donald Rumsfeld utilizou noutros contextos (Iraque e Afeganistão). Esta operação visa essencialmente aterrorizar e intimidar toda a população, destruindo todas as infra-estruturas básicas do país.
Resta saber, na hipótese de haver um cessar-fogo, se será permitido aos refugiados e deslocados regressarem às suas aldeias e cidades.

Observadores da ONU também são alvo militar

Four peacekeepers killed in IAF strike on UN base

UN Secretary-General Kofi Annan had earlier called for an inquery into what he called Israel's "apparently deliberate targetting" of the UN observer force.The four peacekeepers were killed after a bomb directly impacted the building and shelter of an Indian patrol base from the observer force in the town of Khiyam near the eastern end of the border with Israel, said Milos Struger, spokesman for the U.N. peacekeeping force in Lebanon known as UNIFIL (...) He also said there were 14 other incidents of firing close to this position from the Israeli side Tuesday afternoon. "The firing continued even during the rescue operation," he said.

(Fonte: http://www.haaretz.com/hasen/spages/742561.html )

Para o seguidismo acéfalo dos USA e de Israel, por parte de alguns bloguers lusitanos (ou tugas como agora se diz) como o Pacheco Pereira, o Paulo Gorjão e a malta do Insurgente e do Blasfémias estes seriam concerteza perigosos terroristas e o convento de freiras bombardeado em Beirute terá sido concerteza um depósito de armas do Hezbollah. Aliás as freiras normalmente usam os conventos para esconder armas.

segunda-feira, julho 24, 2006

Manifestação pela Paz em Jerusalém

Em Jerusalém também há israelitas que recusam a lógica da guerra e se manifestam pela paz. Shalom.

Ver aqui: http://www.tv.social.org.il/medini.htm

(comentários disponíveis apenas em hebraico)

sexta-feira, julho 21, 2006

Armas proibidas no Líbano ?

Crescem os indícios de utilização, por parte do exército do Estado de Israel, de armas proibidas pelas convenções internacionais, nomeadamente de armas químicas.

As fotografias são demasiado chocantes mas quem tiver estômago forte pode ver aqui http://fromisraeltolebanon.info/

Stop Bombing Lebanon


(Retirado de http://beirutspring.blogspot.com )

quinta-feira, julho 20, 2006

Pagar para ser evacuado

Segundo relatos colocados na blogosfera por cidadãos estrangeiros apanhados no meio da ofensiva israelita contra o Líbano, os cidadãos americanos estão a ser obrigados a assinar notas de dívida para reembolsar o governo americano dos custos da evacuação. Ao mesmo tempo, no caso das familias com mais do que uma nacionalidade, os familiares não são abrangidos pela repatriação.
"Appallingly the Americans have also announced that their citizens will be required to sign a promissory note agreeing to pay for the cost of their evacuation upon their return home. As one American put it, they are being forced to pay to flee from bombs which we paid for with our own tax dollars. Even more appallingly the Americans have said that they will be splitting families. For example if you are an American citizen married to a Lebanese then you can not bring your spouse. If the children are American citizens and the parents are not then one parent can accompany them and the other must stay put. They are forcing families to choose between staying together and staying safe. "

(relato de http://australianinbeirut.blogspot.com/ )

quarta-feira, julho 19, 2006

Jornalismo na Guerra do Líbano


Não deixa de ser intrigante que em plena ofensiva israelita no Líbano, atingindo a totalidade do seu território (e não apenas as instalações do Hezbollah, como diz a propaganda oficial) a cobertura jornalística dos acontecimentos no terreno esteja reduzida ao mínimo.
Os relatos in loco do que se passa em Beirute ou notras regiões do Líbano são poucos e reduzem-se quase só à situação dos cidadãos estrangeiros. Os correspondentes das grandes estações televisivas (CNN, SKYNEWS, ...) estão todos em ... Haifa. Em geral a perspectiva é sempre dada pelo lado do estado de Israel, praticamente sem contraditório. Um único jornalista português (José Manuel Rosendo RDP/RTP) encontra-se em Beirute e é, actualmente a única fonte credível de informação que nos chega do Líbano.
O estado de Israel aprendeu bem a lição do "embedded journalism" da guerra do Iraque. Não fosse a presença dum número significativo de cidadãos estrangeiros encurralados nesta guerra e mais uma cortina de silêncio teria descido sobre esta punição colectiva infligida sobre civis por um dos exércitos mais poderosos e sofisticados do mundo.

domingo, julho 16, 2006

O regime do "Apartheid" em Israel (2)






Rafah, Faixa de Gaza, 2004: O exército israelita procede a demolições de casas de familias palestinianas



(todas as imagens foram retiradas de: http://www.thewe.cc/contents/more/archive2004/may/war_2004_may_images_3.html )

sábado, julho 15, 2006

O regime do "apartheid" em Israel (1)

Em 1943 na Itália, na Grécia e na Jugoslávia, perante a resistência à ocupação os exército nazi procurava quebrar a ocupação através de retaliações contra a população civil. Na Irlanda durante a guerra da independência o metodo favorito do exérito inglês era queimar as casas onde moravam familiares dos "rebeldes".
Actualmente o Tsahal e o Estado de Israel utilizam os mesmos metodos e terão os mesmos resultados. Um dos metodos preferidos são as demolições arbitrárias de casas de familias palestinianas a pretexto de terem um membro da familia na resistência. Os bulldozeres avançam protegidos pelas armas do exército e em poucos minutos mulheres, crianças e idosos ficam sem casa e sem haveres.
O que nos chega da Palestina assemelha-se à situação da Àfrica do Sul no final do regime do apartheid, quando o regime para sobreviver redobrava a violência contra a população. As imagens dos massacres em locais como Soweto ou Sharpville são tragicamente semelhantes com as que chegam de Gaza e da Cisjordânia. Tal como actualmente em Israel, também aqui uma pequena minoria detinha todos os direitos, nomeadamente sobre a propriedade, enquanto que a maioria da população não tinha nenhum direito elementar.
Alguns dos que defendem esta política de repressão violenta contra todo um povo alegam que Israel "é um democracia". Quanto a Israel ser um estado "democrático" podemos dizer que um dos traços essenciais da democracia é a igualdade perante a lei, o que em Israel só acontece se for judeu mas nunca se for cristão ou muçulmano. Mesmo que aí residam há várias gerações serão sempre discriminados relativamente a emigrantes recem-chegados. Também a África do Sul no tempo do Apartheid era considerado uma "democracia", mas só para uma pequena minoria. Infelizmente ainda não chegou um Nelson Mandela à Palestina.ria. Infelizmente ainda não chegou um Nelson Mandela à Palestina.


Fotos da ofensiva israelita em Gaza aqui:
http://hrw.org/campaigns/gaza/photos/slideshow_as2/slideshow_as2.html

sexta-feira, julho 14, 2006

Gramsci nunca viu a SIC-Notícias, mas...


Mais um “debate” na SIC-Notícias com os principais gurus mediáticos do jornalismo português: António José Teixeira, Nicolau Santos e Luís Delgado. Nesta amena cavaqueira o tema de hoje era a análise à última entrevista do primeiro-ministro.
Apresentados como analistas e comentadores políticos, supostamente “imparciais” e “independentes”, da presença destes três elementos esperar-se-ia, no minimo, alguma pluralidade de pontos de vista. Puro engano. Todo o programa se pareceu mais com uma reunião de bispos para estudarem a última enciclica papal em vez de um programa de análise política. Durante uma hora de programa ficamos a saber que estes três “analistas” convergem num discurso de elogio ditirâmbico ao governo e na necessidade de mão pesada contra os “interesses sectoriais” (ou seja os reformados, os utentes dos serviços públicos, os funcionários, etc). Aliás a declaração final de Luís Delgado de que “Sócrates é o líder que eu gostaria de ver no PSD” é sintomática.
E assim todos os dias, na televisão e na “imprensa de referência” vão surgindo os comentadores que nos vão dizendo como as medidas do governo são sempre úteis e justas, mesmo quando não o são, procurando criar um falso clima de consenso. E quando há crises a culpa é sempre dos trabalhadores, mesmo quando não é verdade, como dizia há pouco tempo o Nicolau Santos a propósito da situação da General Motors na Azambuja.
Nada que nos admire, até porque Antonio Gramsci já tinha escrito algo que lido à luz da imprensa portuguesa contemporânea se torna fundamental para compreendermos estes mecanismos:
“Centenas de milhares de operários contribuem regularmente todos os dias com seu dinheiro para o jornal burguês, aumentando a sua potência. Porquê? Se perguntarem ao primeiro operário que encontrarem no elétrico ou na rua, com a folha burguesa desdobrada à sua frente, ouvirão esta resposta: É porque tenho necessidade de saber o que há de novo. E não lhe passa sequer pela cabeça que as notícias e os ingredientes com as quais são cozinhadas podem ser expostos com uma arte que dirija o seu pensamento e influa no seu espírito em determinado sentido. E, no entanto, ele sabe que tal jornal é conservador, que outro é interesseiro, que o terceiro, o quarto e quinto estão ligados a grupos políticos que têm interesses diametralmente opostos aos seus. Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores.
O governo aprova uma lei? É sempre boa, útil e justa, mesmo se não é verdade. Desenvolve-se uma campanha eleitoral, política ou administrativa? Os candidatos e os programas melhores são sempre os dos partidos burgueses. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador.”