Sábado, Maio 19, 2007

Sócrates e o culto da personalidade

Quando o Senhor D. Miguel I procurou restaurar o Absolutismo em Portugal, logo uma diligente polícia política, auxiliada por uma horda de informadores e delatores desataram a tentar identificar individuos suspeitos de dizerem frases pouco abonatórias sobre o novo Rei. Hoje na Torre do Tombo existem numerosos processos políticos dessa época, muitos dos quais se referem a denúncias sobre conversas sediciosas e expressões pouco abonatórias para a com o senhor D. Miguel. É curioso notar que, depois de 1834, quando a situação política mudou, muitos deles, revelando uma grande capacidade de adaptação, procuraram tornar-se também delatores de miguelistas convictos.
A mesma Torre do Tombo guarda também numerosos processos políticos, realizados um século depois, relativos a conversas e comentários pouco abonatórios relativos ao Presidente do Conselho, António Oliveira Salazar.
Agora, em pleno século XXI, uma directora regional do Ministério da Educação e destacado quadro do PS-Porto, de seu nome Margarida Moreira, vem procurar dar continuidade a esta "tradição" do culto do chefe e da delação e perseguição de quem não reconhece publicamente as "virtudes" do chefe. Conforme notícia hoje (19/05) o Público:
Inebriado pelo poder absoluto o governo Sócrates e os seus acólitos entraram numa deriva cada vez mais autoritária, centralista e autista. E como se não bastasse isto, ainda vêm aqueles que procuram mostrar serviço ao "chefe" através de processos mais próprios do Portugal salazarista do que do século XXI. Sinais dos tempos...

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